Chegada, finalmente, a hora de terminar o
bendito portfolio digital, eis que o Fiat lux se transfigura em Fiat image...
(versão dos tradutores online para o acusativo singular)Tenho para comigo que, mais umas horas disto (leia-se, blogue...), e ainda saíam daqui coisas engraçadas... Pelo menos, já me fartei de editar, apagar, reeditar e afins... Gosto da
ferramenta, não fosse ela tão ciosa como o nosso MAABE, requerendo constantemente um tempo e uma atenção que tenho de lhe regatear...
Há uns anos, aqui em brincadeiras pela Internet, iniciei um blogue (cujo endereço já não sei) a partir de um e-mail que já não tenho... Curioso, não?! Porquê falar nisso? Porque, algures neste imenso e interminável Mundo Virtual, navega, provavelmente inacessível para todo o sempre,
uma das minhas luminosas (?!) ideias sobre a felicidade... Dizia esse texto, ao reflectir sobre o Mito de Sísifo, para sempre obrigado a rolar a pedra montanha acima, que a felicidade se desdobra em pequenos momentos... e que esses momentos ocorrem quando, inesperadamente, a pedra se isola a meio da encosta, sem descer aos trambolhões nem precisar que empreguemos toda a nossa força para a suster nesse instante imponderável... Aí, podemos olhar em volta... Aí, somos felizes...

Com esta Torre de Babel, de Bruegel, acontece o mesmo: por instantes, os construtores pararam a contemplar a sua obra... e a linguagem que lhes é comum, a do olhar deslumbrado, suplanta todas as línguas diferentes que se entrecruzam. Aí, nesse instante precioso, todos eles são felizes... e nós também.
Conseguir, seguindo o fio da meada, encontrar o caminho nestes labirínticos processos de trabalho que são os nossos; arrostar com todos os Minotauros e sair vitoriosos é o desígnio de cada um de nós, na(s) sua(s) Biblioteca(s), na(s) sua(s) Escolas... Por momentos, conseguimos estar juntos na construção da nossa Torre do Conhecimento. Não falamos todos as mesmas línguas, não temos todos as mesmas pátrias, não chegámos todos ao mesmo tempo... mas foi aqui, agora, neste tempo que tornámos nosso, que construímos um momento precioso de partilha. Felicidade?! Tão cedo nenhum de nós o considerará como tal... As noites mal dormidas, a pressão do relógio, os olhos cansados do monitor do computador... que felicidade poderá ressumar de todas essas nossas justas queixas e maleitas?... Mas virá o dia em que, aqui, juntos, teremos estado no nosso Éden particular?
O tempo, continua a cantar Susana Félix, "mistura numa névoa libertino / o passado e o futuro das histórias"...